A saída da crise econômica passa, obrigatoriamente, pela reforma da previdência, pelo fim do salário mínimo indexado, pela abertura econômica para o investimento estrangeiro, retirando as inúmeras travas burocráticas e tributárias; e pelo fim do impulso ao crescimento mediante concessão de crédito e do aumento do gasto público. “Ocorre que isso é exatamente o contrário a tudo aquilo que o governo pensa”, sentenciou o economista e ex-presidente do Banco Central Antônio Afonso Celso Pastore, em reunião-almoço realizada pelo Secovi-SP e a Fiabci-Brasil nesta quarta-feira (02/12). Na ocasião, ele apresentou a empresários do setor imobiliário indicadores da economia, como taxa de desemprego; nível de endividamento do governo, das famílias e das empresas (todos em alta); concessão de crédito; investimentos das empresas e do setor público; desempenho da indústria e insumos da construção (todos em queda).

Eliane Cantanhêde, colunista de política do jornal O Estado de S. Paulo e da Globo News, delineou o ambiente de incertezas em relação ao eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Essa é uma questão que ninguém sabe responder”, frisou. Destacou que nem Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, nem Renan Calheiros, presidente do Senado, têm calibre moral para tocar um processo de deposição da presidente, uma vez que ambos estão implicados na Lava Jato. A jornalista também traçou o perfil de Dilma, justificando o porquê de estar isolada politicamente e sem apoio necessário para promover as reformas requeridas para que o País volte aos trilhos. “Ela é autoritária e não gosta de ouvir divergências. Isolou-se no Palácio do Planalto só com gente que concorda com tudo o que ela fala, que é o Mercadante e o Berzoini. E a política é a arte do contraditório.” Tocante ao setor imobiliário, Antonio de Lazzari Junior, ex-presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), esboçou os quatro pilares de sustentação do financiamento de imóveis: taxa de emprego, confiança do tomador de empréstimo, rendimento real e inadimplência. “Infelizmente, todos eles estão abalados. É fundamental que sejam resgatados para que o setor consiga retomar suas atividades”, pontuou. Nos anos de 2013 e 2014, foram desembolsados R$ 110 bilhões, que financiaram 500 mil unidades. Neste ano, essa cifra deve ficar em R$ 85 e R$ 90 bilhões. Em relação ao funding, Lazzari analisou o esvaziamento da poupança, cujos saques em 2015 foram da ordem de R$ 54 bilhões, deixando um saldo de R$ 499 bilhões até outubro. “Enquanto a Selic estiver alta, as pessoas continuarão tirando dinheiro da poupança para investir em aplicações que aproximem seus rendimentos à taxa de juros.” Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, fez um pequeno balanço do setor. “Deveremos encerrar 2015 com queda de 38% em lançamentos, 20% em vendas e uma alta de 5% no estoque de unidades prontas, na planta e em construção. Em nível nacional, os lançamentos devem se retrair 24% e as vendas, 7%”, estimou. Considerou que é o momento de, novamente, as empresas se reinventarem, lançarem novas tipologias, encontrarem nichos de mercado e novas formas de trabalho, de forma a continuar cumprindo o fundamental papel social da industrial imobiliária, que é o de ofertar moradia. O presidente da Fiabci-Brasil, Rodrigo Luna, disse que só haverá retomada do crescimento do País e do setor quando houver os indispensáveis ajustes na economia e a crise política for equacionada.

 

 

 

Fonte: www.ademigo.com.br

Autor
evoimov

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